Yahoo!, Google e o mesmo capitalismo…aff
Tiago Paixão | 12 12UTC February 12UTC 2008 | 5:07
A Yahoo rejeitou mais uma vez a proposta de compra pela Microsoft de Bill Gates. Desta vez foram US$44,6 bilhões. E mais uma vez se repete a velha história do capitalismo, qual seja, a predominância das grandes empresas concetradoras de mercado, um oligopólio onde dá pra contar em uma mão os players. Apesar da agonia toda de que Google, software livre, Linux, etc é uma renovação não necessariamente capitalista as coisa parecem difíceis de mudar de verdade. É a máxima schumpeteriana, destruição criativa. O novo ultrapassa o velho com o melhor e damos um salto de qualidade! Mas qualidade pra quem, cara pálida? Para as pessoas ou para os consumidores? A sociedade é feita de seres humanos e não de ofertantes e demandantes, vendedores e compradores…
Mudam-se as coisas pra continuar tudo como está. Ai sou eu mesmo que digo e não Schumpeter.
Tenho muita esperança na internet como forma de revolução na sociedade, pois nunca a informação e os instrumentos de luta estiveram tão acessíveis ao povo, mas a forma de organização disso ainda está muito…eu diria…capitalista? Sim.
Essa compra só representaria mais concentração e poder para que elas ditem no mundo seus interesses. O gigantismo dessa empresa a levaria a travar o mercado e no médio e longo prazo deixar a sociedade em pior situação material, política e ideológica muito mais combalida.
A Yahoo rejeitou mas pensa em fazer parceria com o Google para enfrentar a Microsoft ou se fundir com a quarta gigante: a AOL. Não melhoraria nada
Quer ver um outro exemplo? É a Apple, dona do Mac, Ipod, Iphone etc, que tinha um discurso contra a opressão das grandes empresas, na época o alvo maior era a IBM, mas hoje age como uma monopolizadora e clássica empresa capitalista sangue-suga. Quem compra seus produtos sofre ataques de venda casada. Se compra Ipod tem que usar Itunes. Se compra Mac tem que usar Safari. Se compra Iphone tem que ser cliente AT&T. O discurso inicial de Steve Jobs caiu por terra e prevaleceu o capital, que mantém intrínseca a sua característica da autonomia.
O detalhe é que todas essas empresas são iniciados com talentos individuais ou de um pequeno grupo ou dupla. Depois que vai crescendo e comprando a força de trabalho alheia. Suas inovações são de alto nível. Ou seja, o que quero dizer com isso? Que é preciso dar oportunidades aos pequenos, pois destes vem a maior parte das inovações. Infelizmente só alguns podem expressá-las em sua própria empresa. É sempre na empresa dos outros.


















Olha, Tiago, dei "Graças a Deus" pela compra não ter
Marcos A.T. Silva | 12 12UTC February 12UTC 2008 | 7:40Olha, Tiago, dei “Graças a Deus” pela compra não ter se concretizado…hehehehe
Está certo que sou meio que um fã do Google, e talvez esteja sendo um pouco imparcial ao analisar a estória toda, mas se tem coisas das quais desgosto profundamente são as táticas utilizadas pela Microsoft.
Prefiro ver um Google crescendo e, quem sabe, divagando um pouco, comprando o Yahoo, do que a Microsoft adquirindo tal empresa. Já duvidei do tal lema “Don’t be evil” do Google, mas mesmo assim, ele é menos “mau” do que a gigante de Redmond…rsrs
Abração, e parabéns mais uma vez pelo blog!
Eu tb sou fã do google mas temos que ter
Tiago Paixão | 12 12UTC February 12UTC 2008 | 18:59Eu tb sou fã do google mas temos que ter muito cuidado ao dar toda corda pra ela. Ela pode vir a ser um grande carrasco e terror dos pequenos empreendedores e inovadores. Sou totalmente contra a venda do Yahoo para uma dessas grandes empresas da área. Se vende, que venda pra quem não é tão grande assim com a intenção de evitar o oligopólio ou quem sabe o quase-monopólio. Empresas boazinha já tiveram de monte. Quando cresceram trilharam o caminho natural do capital: passar por cima de tudo por lucros, passa por cima até dos objetivos do fundador quando iniciou a empresa. Não tem como fugir. É regra. Marx explica genialmente isso. Eu que sou um revolucionário, se criasse uma empresa bem mais legal que o Google, um dia essa minha empresa tb iria se corromper. Pode ter certeza. Não é moral. É lógica econômica.
E só mais uma coisa: nenhuma dessa empresas é eterna, nem o Google. Podem ser suplantadas por outra. por isso não devemos deixar que nada impeça que novas idéias fiquem só na cabeça do inovadores.
Abraços Marcão
Com certeza, Tiago, e nem devemos pensar que um determinado
Marcos A.T. Silva | 12 12UTC February 12UTC 2008 | 20:20Com certeza, Tiago, e nem devemos pensar que um determinado serviço é “eterno”, ou que sempre usaremos “aquele serviço daquela empresa”.
Ampliando um pouco a coisa, a própria história da humanidade é cheia de altos e baixos, e impérios e países que outrora foram dominantes, hoje estão reduzidos a meros “coadjuvantes”, ou menos do que isso.
Uma das coisas que mais me preocupa na internet é a privacidade, e a recente notícia de que os perfis do Facebook estavam sendo abertos bem mais do que o devido aos funcionários do mesmo me deixou mais preocupado ainda. Não que eu seja usuário do serviço, mas isto nos faz pensar em quão frágeis são nossas informações na web.
E mesmo que determinada empresa tenha uma rígida política de privacidade, quem nos garante que esta é conduzida com total sinceridade?
Adorei quando a Yahoo negou a proposta da Micro$oft, se bem que acho que a “novela” não terminou por aí…rs
Agora, fico curioso com o que aconteceria se, ao invés da Microsoft, fosse um Google a comprar o Yahoo. Claro, teríamos aí todos os efeitos perniciosos já citados referentes ao “maléfico” monopólio, mas acho que seria uma ótima oportunidade de o Google mostrar realmente sua “cara”…rs
Abraços!
0la meu caro, quanto as negociações é bom saber que
Dannyell | 14 14UTC February 14UTC 2008 | 16:310la meu caro, quanto as negociações é bom saber que tal venda não tenha sido concretizada. Acredito que não seria nada bom, para os internautas diretamente e para muitas outras pessoas indiretamente se houvesse essa concentração.
A primeira coisa que pensei quando li seu post foi ” e agora o que é melhor o Estado intervir nessa negociação, ou o livre mercado mostrar a sua face?”
Quanto a sua indagação final, concordo que somos pessoas, seres humanos as vezes patéticos, mas não somos meros agentes econômicos. No entanto, somos consumistas e a cada dia que passa fica provado, que o “ter dinheiro” passa a ser mais importante.
E ai Dannyel?!! Pois é, cara. O Estado tem que
Tiago Paixão | 15 15UTC February 15UTC 2008 | 16:44E ai Dannyel?!! Pois é, cara. O Estado tem que intervir sim. A internet será um dos pilares estruturantes da sociedade e não pode ser deixado o deus mercado. Não digo que o Estado deva fazer censura mas uma regulação.